História e Filosofia Política
Puerto Esperanza em Cuba: pesca, escassez e crise
Puerto Esperanza em Cuba: pesca, escassez e crise
Na vila pesqueira de Puerto Esperanza, o pescado virou produto de luxo. Veja como a falta de energia, combustível e liberdade econômica afeta a vida dos moradores.
Na vila pesqueira de Puerto Esperanza, o pescado virou produto de luxo. Veja como a falta de energia, combustível e liberdade econômica afeta a vida dos moradores.

Puerto Esperanza em Cuba é uma vila pesqueira no extremo oeste da ilha, na província de Pinar del Río, com cerca de 5 mil habitantes. O pescado, principal recurso local, tornou-se raro e caro. Sem eletricidade estável e com combustível de difícil acesso, muitos pescadores saem ao mar sem garantia de renda.
Por que o pescado virou artigo de luxo
Em um povoado cuja economia gira em torno do mar, o esperado seria encontrar peixe em abundância. A realidade é outra. A pesca encolheu, e o produto que sobra costuma ir para poucos compradores dispostos a pagar preços altos.
Segundo o relato colhido no local, a situação do porto piorou desde a pandemia e se agravou em janeiro, quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio petrolífero de fato à ilha. A medida faz parte de uma escalada de sanções do governo de Donald Trump contra o governo cubano.
Combustível, eletricidade e o custo de sair ao mar
Para entender a conta do pescador, é preciso olhar para os custos de cada jornada. Os números abaixo foram relatados por moradores da vila:
- Alexis González, de 45 anos, gasta em média 11 mil pesos cubanos por dia para sair a pescar, o equivalente a cerca de 14 dólares no câmbio informal.
- O litro de petróleo no mercado negro chega a cerca de 2 dólares, e a embarcação consome entre 5 e 8 litros por saída.
- Sem energia para refrigerar a captura, o pescador precisa vender o que pesca de imediato, sob pena de perder tudo.
González resumiu a situação com uma frase que revela a lógica da perda: “Hay que salir a pescar todos los días para poder subsistir”, disse ele, e completou que, em alguns dias, nem o combustível é recuperado.
A eletricidade completa o quadro. Segundo o viceministro de Assuntos Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, sua própria casa recebeu energia apenas duas ou três horas por dia nos últimos oito meses. Em setembro e outubro, o país registrou apagões em pelo menos 23 de 28 dias, conforme os dados citados no relato.
Quanto pesa a crise no salário e na mesa
O custo de vida também sufoca quem não pesca. Segundo a Oficina Nacional de Estadística e Información de Cuba, a inflação interanual chegou a 25,19% em agosto, e os alimentos e bebidas não alcoólicas subiram mais de 36% no mesmo período.
O médico José Machado afirmou que, para um trabalhador comum, é impossível acompanhar os preços. Ele estimou que nenhum pescado sai por menos de 5 dólares, valor que supera o salário de boa parte dos moradores.
Escassez é resultado de um modelo econômico?
Os fatos relatados são o ponto de partida. A interpretação, porém, é uma opinião e deve ser tratada como tal. Na avaliação de quem defende a economia de mercado, a escassez não é um acidente isolado. Ela aparece quando preços são controlados, a iniciativa privada é limitada e o Estado decide sobre energia, combustível e distribuição.
Nesse ambiente, o pescador tem pouco incentivo para investir, porque não consegue transformar esforço em lucro previsível. Quando a produção diminui, a abundância prometida pelo discurso oficial dá lugar a filas, racionamento e preços inacessíveis. Vale lembrar que o racionamento elétrico também atinge o setor de energia solar, já que a falta de armazenamento em larga escala limita o uso da produção durante o dia.
Perguntas frequentes
Por que o pescado é tão caro em Puerto Esperanza?
A alta do preço está ligada à falta de combustível para sair ao mar e à ausência de energia para conservar a captura. Com menos peixe disponível e poucos compradores, o valor sobe rapidamente.
O bloqueio petrolífero é a única causa da crise?
Não. Segundo o relato, a crise vem desde a pandemia e foi agravada pelo bloqueio. Apagões, inflação e a dificuldade de produzir também pesam sobre a população.
Quanto custa uma saída de pesca na vila?
Segundo um pescador local, a jornada custa em média 11 mil pesos cubanos, cerca de 14 dólares no câmbio informal. O valor inclui combustível e outros gastos, e nem sempre há retorno na venda.
Qual é a lição do caso para o debate econômico?
O caso mostra como a falta de liberdade econômica e de preços livres pode transformar uma região rica em recursos em um lugar de escassez. A discussão sobre políticas públicas deve partir desses dados.
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Fonte: infobae.com
Foto: reprodução da fonte










