Religião
Perseguição a pastores na China: confisco e acusações
Perseguição a pastores na China: confisco e acusações
Líderes de igrejas protestantes não registradas relatam prisões, confisco de materiais e acusações que organizações de liberdade religiosa questionam.
Líderes de igrejas protestantes não registradas relatam prisões, confisco de materiais e acusações que organizações de liberdade religiosa questionam.

A perseguição a pastores na China voltou a atingir líderes de congregações protestantes que funcionam fora do sistema religioso oficial. Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, autoridades têm recorrido a prisões, confiscos de materiais e acusações de atividade ilegal contra esses líderes.
Caso do pastor An Yankui e a acusação de atividade ilegal
O pastor An Yankui foi levado de sua residência por agentes do Departamento de Segurança Pública de Taiyuan, na manhã de uma terça-feira da semana anterior à publicação dos relatos. Ele dirige a Igreja Reformada de Taiyuan Xuncheng, uma congregação protestante não registrada.
Segundo a International Christian Concern, organização de defesa dos direitos humanos sediada nos Estados Unidos, a polícia registrou contra ele a suspeita de “organizar atividades religiosas ilegais”. O boletim citou o Artigo 96 da Lei de Punições da Administração da Segurança Pública, que determina que a polícia informe à pessoa convocada os motivos e a base legal da convocação.
Segundo o mesmo relato, em 2020 ele já havia ficado detido por 15 dias e recebido multa pela mesma acusação. Depois disso, foi detido outras vezes, inclusive sob a alegação de ter apresentado justificativas falsas para viajar ao exterior. Essas alegações são informadas pela fonte e não foram confirmadas de forma independente.
A igreja também foi alvo de buscas repetidas, inclusive durante um culto, em outubro de 2025.
Igrejas domésticas e o confisco de materiais em Guangzhou
As igrejas domésticas são congregações não registradas que atuam fora do Movimento Patriótico das Três Autonomias, entidade protestante reconhecida pelo governo chinês. Por não terem registro oficial, costumam operar em espaços alugados ou em casas de membros.
Em Guangzhou, no sul do país, integrantes da Igreja Guangfu tiveram materiais bíblicos confiscados em 16 de setembro. De acordo com a ChinaAid, eles foram acusados de “promover um culto”.
Ainda segundo a entidade, um dos convocados para interrogatório teria sido ameaçado: as autoridades investigariam seus filhos caso ele não colaborasse. A polícia também obrigou a congregação a deixar o espaço que alugava para os encontros.
Operações contra a Igreja Sião e outros grupos
Ezra Jin, pastor chinês recentemente libertado da prisão, afirmou na Conferência Global sobre Liberdade Religiosa de 2026, realizada na Universidade Batista de Dallas, que mais de 150 pastores e líderes religiosos continuam presos na China. Ele atribuiu a própria libertação à defesa de seus direitos e às orações.
Em entrevista a um veículo internacional, Jin disse que oito líderes de sua Igreja Sião, em Pequim, permanecem detidos. Segundo ele, após sua libertação as condições dos presos pioraram, e o Partido Comunista Chinês tentaria acelerar o julgamento deles.
A polícia iniciou operações contra a Igreja Sião, uma das maiores redes de igrejas domésticas do país, em outubro de 2025. Integrantes foram detidos em diferentes províncias e, depois, 18 deles foram formalmente presos, etapa que, segundo o relato, costuma anteceder um processo judicial. Jin e outros líderes são acusados de “uso ilegal de redes de informação”, em referência ao discipulado que a igreja realizava pelo Zoom. Trata-se de uma acusação, e não de fato comprovado.
Outros casos relatados pela ChinaAid incluem:
- Beihai: oito pastores e funcionários da Igreja Sião foram detidos em 10 de setembro, com acusações de “fraude” e “operações comerciais ilegais”.
- Pequim: pastores e funcionários da Igreja Jiaquan, que atua de forma independente do sistema estatal, também foram detidos. Ainda não se sabe quantos foram presos nem quais acusações enfrentam.
- Jiangyou: em 14 de junho, a polícia interrompeu um encontro da Igreja da Aliança da Chuva Precoce em um hotel e deteve mais de 30 pessoas.
- Reunião de leitura: em 10 de setembro, 11 cristãos, a maioria com mais de 60 anos, foram retirados de um encontro realizado em uma casa de chá.
Liberdade religiosa e Estado de Direito
Bob Fu, fundador e presidente da ChinaAid, pediu que as autoridades divulguem a identidade dos detidos, informem onde estão e apresentem a justificativa legal das prisões. Ele também pediu acesso a advogados independentes. Segundo Fu, as detenções fazem parte de uma campanha crescente contra algumas das igrejas urbanas mais influentes do país.
A Igreja Jiaquan atua em Pequim há mais de 20 anos e reúne cerca de mil membros. As prisões ocorreram poucos dias antes de uma cúpula entre Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O caso da Igreja da Aliança da Chuva Precoce ilustra o desfecho de episódios desse tipo. Após a prisão de muitos de seus membros, em dezembro de 2018, a igreja foi proibida, e seu fundador e pastor, Wang Yi, foi condenado a nove anos de prisão.
Para críticos dessas medidas, o ponto central é o respeito à liberdade religiosa e ao Estado de Direito, com prisões que informem motivos claros, garantam defesa e sigam o devido processo.
Perguntas frequentes
Por que essas igrejas são alvo de acusações na China?
Segundo os relatos, as congregações não registradas são acusadas de realizar atividades religiosas ilegais, de promover cultos ou de cometer fraudes e operações comerciais irregulares. Organizações de direitos humanos afirmam que essas acusações são usadas para pressionar líderes religiosos. As autoridades chinesas não foram citadas nos relatos de forma a esclarecer esses pontos.
O que significa ser uma igreja doméstica?
Igreja doméstica é o nome dado a congregações que não são registradas no sistema oficial e que funcionam fora do Movimento Patriótico das Três Autonomias. Seus encontros costumam acontecer em casas, espaços alugados ou locais improvisados. Por isso, ficam mais expostas à fiscalização policial.
Quantos líderes religiosos estão presos na China?
Ezra Jin afirmou, na Conferência Global sobre Liberdade Religiosa de 2026, que mais de 150 pastores e líderes religiosos continuam presos. Ele também disse que oito líderes da Igreja Sião permanecem detidos. Esses números são declarações dele e não foram verificados de forma independente no relato.
O que as organizações de direitos humanos pedem?
Bob Fu, da ChinaAid, pede a divulgação da identidade dos detidos, a informação sobre o local de custódia e a justificativa legal das prisões. Também pede acesso a advogados independentes. A defesa é de que todo processo siga o Estado de Direito.
Quer acompanhar outros casos de liberdade religiosa e entender como essas decisões afetam igrejas e famílias? Continue lendo nossas próximas análises e compartilhe este conteúdo com quem se interessa pelo tema.
Fonte: goodprime.co
Foto: reprodução da fonte
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.








