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Poder de comunicação do governo: o plano de Tarcísio
Poder de comunicação do governo: o plano de Tarcísio
Tarcísio afirmou que vai usar o poder de comunicação do governo para responder a mentiras. Veja o que foi dito e quais limites e riscos a estratégia envolve.
Tarcísio afirmou que vai usar o poder de comunicação do governo para responder a mentiras. Veja o que foi dito e quais limites e riscos a estratégia envolve.

O poder de comunicação do governo ganhou espaço no discurso do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, durante entrevista concedida nesta quinta-feira, 8. Ao tratar de mentiras que circulam na disputa política, ele afirmou que pretende usar os canais disponíveis ao Executivo estadual para responder a essas acusações. A proposta exige atenção a limites legais e a riscos institucionais.
O que o governador disse sobre as mentiras
Ao comentar a circulação de fake news, termo usado para designar conteúdos falsos divulgados como verdadeiros, Tarcísio citou um caso específico. Segundo ele, boatos sobre Nossa Senhora Aparecida tinham como objetivo provocar divisão entre religiões, mas "não emplacaram".
Na sequência, o governador afirmou: "Vamos usar as redes sociais para neutralizar essas mentiras, vamos usar as rádios, vamos usar todo o poder de comunicação que temos". Ele completou que "o brasileiro está cansado da mentira".
Como a estratégia seria aplicada
Pelas falas registradas na entrevista, a estratégia combina diferentes meios de difusão. Os canais citados pelo governador foram:
- redes sociais, para resposta rápida a conteúdos que circulam na internet;
- rádios, para alcançar públicos que consomem informação de forma mais tradicional;
- a estrutura de comunicação do próprio governo, mencionada de forma genérica como o "poder de comunicação que temos".
A entrevista não detalhou orçamento, equipes responsáveis nem critérios para escolher quais conteúdos serão contestados. Essas informações são essenciais para avaliar a iniciativa.
Quais são os limites dessa estratégia
Na avaliação deste texto, o primeiro limite é a separação entre comunicação institucional e propaganda pessoal. A comunicação pública, isto é, a que é paga com recursos do Estado, deve informar o cidadão sobre políticas e serviços. O princípio da impessoalidade, previsto na Constituição, existe justamente para impedir que a máquina pública seja usada em benefício de governantes ou de grupos políticos.
Risco de confundir governo e campanha
Quando a resposta a adversários parte dos canais oficiais, a fronteira entre governar e disputar eleições fica mais tênue. Esse é um ponto que a Justiça Eleitoral e os órgãos de controle costumam observar com atenção, e o debate sobre o tema tende a se intensificar em períodos de disputa.
Checagem e transparência
Combater mentiras exige provar o que é falso e identificar a fonte do conteúdo. Um governo que se coloca como árbitro da verdade precisa demonstrar critérios públicos, sob pena de ser acusado de usar a checagem como arma política. A transparência sobre dados e métodos é, portanto, a principal garantia contra esse desgaste.
Riscos para o debate democrático
Na visão editorial deste texto, a liberdade de expressão e o Estado de Direito pedem que o combate a conteúdos falsos seja feito por meio de fatos, de respostas verificáveis e de instituições independentes. Mesmo quando há boa intenção, o uso intensivo da estrutura estadual pode reduzir a confiança do eleitor no que é dito pelo poder público.
Há ainda um risco de precedente. Se a estratégia for aceita sem limites claros, futuros governos de qualquer orientação poderão usar o mesmo argumento para ocupar o espaço da informação oficial com discurso político.
Perguntas frequentes
O que é o poder de comunicação do governo?
É o conjunto de canais, equipes e recursos que a administração pública usa para informar a população. Na entrevista, Tarcísio o associou à resposta a mentiras divulgadas nas redes sociais e no rádio.
Quais meios o governador citou para rebater mentiras?
Ele citou redes sociais e rádios, além de uso genérico de toda a estrutura de comunicação disponível. Não foram detalhados orçamento, responsáveis ou critérios de atuação.
Quais são os principais limites dessa estratégia?
Os limites incluem a impessoalidade da comunicação pública, a separação entre governo e campanha e a necessidade de transparência nas checagens. Sem essas garantias, a iniciativa pode ser questionada.
Esse tipo de ação pode gerar riscos?
Sim. O uso da máquina pública para responder adversários pode gerar desgaste de credibilidade e abrir precedentes preocupantes. Por isso, acompanhar os critérios e os gastos é fundamental para o cidadão.
Quer acompanhar os desdobramentos desse debate sobre comunicação pública e liberdade de informação? Continue acompanhando nossa cobertura e compare as informações oficiais com os dados disponíveis.
Fonte: Revista Oeste
Foto: Revista (reprodução)










