Investigação
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: o que mostram os e-mails
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: o que mostram os e-mails
E-mails obtidos pela PF apontam uma conta bancária compartilhada entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, investigado no caso de desvios do INSS. Os dois negam irregularidades.
E-mails obtidos pela PF apontam uma conta bancária compartilhada entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, investigado no caso de desvios do INSS. Os dois negam irregularidades.

E-mails obtidos pela Polícia Federal (PF) na operação Sem Desconto indicam que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz dividiam uma conta no Santander. Os dois negam irregularidades, e o advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro desviado de aposentadorias do INSS.
Flávio Bolsonaro e a conta no Santander: o que dizem os e-mails
Um dos documentos citados pela PF é um e-mail de 22 de maio de 2025, enviado por Fayla Zulmira Menezes, funcionária do escritório de Tomaz. Na mensagem, ela pede ao Santander que a conta vinculada ao nome do senador deixe de estar associada ao “usuário master” ligado ao advogado. Os números da conta foram suprimidos.
No mesmo dia, o banco confirmou que a conta atrelada a Flávio Bolsonaro havia sido excluída. O movimento ocorreu praticamente um mês após a primeira fase da operação Sem Desconto, que apura desvios de até R$ 6,3 bilhões.
Como funciona o usuário master em contas PJ
Segundo o próprio site do banco, uma conta de pessoa jurídica pode ter mais de um usuário. O usuário master pode executar todas as operações, enquanto os usuários secundários realizam apenas funções autorizadas por ele.
Na prática, isso permite que mais de uma pessoa movimente valores de uma mesma conta. A reportagem informa que o e-mail faria referência a usuários, entre eles Flávio Bolsonaro, ligados a uma conta PJ vinculada à empresa de Tomaz.
A PF registra que a conta do senador estava vinculada ao mesmo contato de usuário master em que o escritório pedia a inclusão da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.
Quem é Willer Tomaz e por que ele está na investigação
Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado. Ele já havia sido preso em 2017 no inquérito sobre propina paga pela JBS, mas a denúncia foi rejeitada depois por falta de provas.
A PF também apura suspeita de lavagem de dinheiro com bets. Documentos anexados pela defesa de Tomaz em uma ação contra a empresa Blaze indicam apostas de R$ 6,6 bilhões em 18 meses, entre janeiro de 2025 e julho de 2026. A defesa alega ludopatia e pediu à Justiça a devolução dos valores.
Voos em jatos executivos e os vínculos apontados pela PF
A PF descobriu que duas empresas de Tomaz no exterior pagaram voos em jatos executivos para o senador e sua família em 2024 e 2025. São elas a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings, ambas em Portugal. Tomaz se diz único sócio da Alcazar e declara ter 24% da Cathedral.
Segundo a investigação, a Alcazar bancou voos em um Legacy 650 do qual tem um terço. Em janeiro do ano passado, Flávio Bolsonaro, a mulher, as duas filhas e Tomaz voaram nesse avião de Fort Lauderdale (EUA) a Brasília. O advogado afirmou que pagou o trecho com horas da própria cota e que os passageiros viajaram como convidados.
Ao menos cinco deslocamentos internacionais no primeiro semestre do ano passado fazem parte do conjunto analisado. Entre eles:
- Abril: voo de Lisboa a Nice, no sul da França, feito pela NetJets.
- Maio: trechos de Cascais a Nice e de Nice a Paris, já com as famílias, também pela NetJets.
Como o INSS aparece no caso
A investigação sobre o INSS apura descontos associativos indevidos contra milhões de aposentados. Conforme a reportagem, Weverton Rocha foi o responsável por levar Tomaz à mira da PF, e o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a busca no escritório do advogado.
A PF descreve as empresas e os escritórios ligados a Tomaz como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico”. No caso de Flávio Bolsonaro, os e-mails, os voos e a proximidade entre os dois sustentam uma linha de investigação que o trata como possível beneficiário desse esquema, hipótese que ele nega.
Outro ponto citado é o vínculo familiar de um escritório ligado ao senador. Flávio é sócio da Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, administrada, segundo registros da Receita Federal, por Letícia Caetano dos Reis. O irmão dela, Alexandre Caetano dos Reis, foi alvo da PF por prestar serviços de contabilidade a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como principal operador financeiro do esquema.
Quais medidas jurídicas podem decorrer
Até o momento, não há condenação contra Flávio Bolsonaro ou Willer Tomaz. As informações vêm de e-mails e documentos obtidos pela PF, e cabe à Justiça avaliar eventuais responsabilidades.
Segundo a reportagem, o relatório da PF aponta a necessidade de aprofundar a investigação sobre as movimentações financeiras do advogado, de suas empresas e da relação com agentes públicos. Entre os desdobramentos possíveis estão:
- aprofundamento das apurações sobre movimentações financeiras de Tomaz e de suas empresas;
- análise da relação entre o advogado e agentes públicos;
- investigação criminal sobre o vazamento de informações protegidas por sigilo, determinada pela PF e citada em nota de Tomaz.
Flávio Bolsonaro afirma, em nota, que “toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”. Tomaz diz que a conta “nunca lhe pertenceu” e que adotou medidas criminais contra a divulgação de acusações falsas. Por isso, nenhuma dessas posições deve ser tratada como prova definitiva.
Perguntas frequentes
Os e-mails comprovam que Flávio Bolsonaro tinha conta com Willer Tomaz?
Os e-mails citam uma conta vinculada ao nome do senador e a um usuário master ligado ao advogado. Flávio Bolsonaro nega ter mantido conta com Tomaz como usuário master, e a análise cabe à Justiça.
Qual é o papel de Willer Tomaz na investigação do INSS?
A PF investiga Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro desviado de aposentadorias. Ele também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro com bets, e a defesa nega qualquer irregularidade.
O que é a operação Sem Desconto?
É a investigação que apura descontos associativos indevidos em aposentadorias do INSS. Segundo a reportagem, os desvios apurados chegam a R$ 6,3 bilhões.
Uma investigação significa que alguém já é culpado?
Não. Investigado e acusado são pessoas submetidas a apuração, e a presunção de inocência vale até decisão definitiva. Cabe ao Judiciário definir eventuais responsabilidades.
Quer acompanhar os próximos desdobramentos deste caso com informação factual e sem sensacionalismo? Continue lendo a cobertura e confira as versões de cada parte envolvida.
Fonte: UOL
Imagem gerada por inteligência artificial.
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.








