História e Filosofia Política
Inteligência artificial e socialismo: o limite do cálculo
Inteligência artificial e socialismo: o limite do cálculo
A IA tornaria viável o planejamento central da economia? Veja a tese de Victor Shvets e a resposta de Ludwig von Mises sobre o cálculo econômico.
A IA tornaria viável o planejamento central da economia? Veja a tese de Victor Shvets e a resposta de Ludwig von Mises sobre o cálculo econômico.

A inteligência artificial e socialismo voltaram ao debate porque alguns autores defendem que o poder computacional poderia tornar viável o planejamento central da economia. A pergunta central é se a IA criaria um paraíso socialista ou se esbarra no mesmo obstáculo que Ludwig von Mises identificou na obra sobre o cálculo econômico em comunidades socialistas.
De onde vem a tese do planejamento computacional
Yuri Maltsev, em seu prefácio à obra de Mises, relatou uma tirada do economista soviético Nikolai Fedorenko. Segundo Maltsev, Fedorenko afirmou que um plano econômico plenamente equilibrado, verificado e detalhado para o ano seguinte levaria, mesmo com a ajuda de computadores, 30 mil anos para ficar pronto.
Victor Shvets, ex-banqueiro de investimentos, acredita que essa barreira já foi superada. Em seu livro A Grande Ruptura, ele sustenta que a tecnologia poderia criar um ambiente em que o planejamento estatal entregue resultados econômicos aceitáveis, ao custo de suprimir liberdades sociais e individuais.
O argumento a favor do planejamento com IA
Shvets afirma que, até 2030, a IA poderia substituir a maioria das funções de pesquisa e antecipar mudanças. Para ele, decisões difíceis que empreendedores têm dificuldade em tomar seriam tomadas por sistemas capazes de processar grandes volumes de dados. Entre os pontos que ele atribui à tecnologia, estão:
- manipular uma quantidade inédita de informação;
- antecipar necessidades e desejos dos consumidores;
- direcionar investimentos de forma mais produtiva que a mão invisível de Adam Smith, na avaliação do autor;
- eliminar, em tese, a estagnação e a ineficiência do planejamento soviético.
Shvets também retoma Nikolai Bukharin, para quem o planejamento científico talvez não estivesse errado, apenas um século à frente do seu tempo. Ele sugere que o poder computacional permitiria esse planejamento sem repetir os problemas da União Soviética.
Por que o cálculo econômico continua sendo o obstáculo
Mises responde que nenhum homem ou máquina consegue dominar todas as possibilidades de produção, por serem inumeráveis, a ponto de emitir juízos de valor imediatamente evidentes sem algum sistema de cálculo. Essa é a razão pela qual a questão não se resume a processar mais dados.
O ponto central é que o conhecimento necessário à produção está disperso entre milhares de pessoas, cada uma com informações locais sobre suas necessidades e recursos. Os preços surgem da troca voluntária e funcionam como sinal para orientar essas decisões.
Mises também descreve a distribuição do controle administrativo sobre bens econômicos entre indivíduos que participam da produção e têm interesse nela como uma divisão intelectual do trabalho. Para ele, essa divisão não seria possível sem algum sistema de cálculo da produção e sem economia.
Liberdade, capitalismo maduro e o futuro previsto
Shvets admite que a história associa liberdade a produtividade, prosperidade e felicidade, enquanto o planejamento ao estilo soviético esteve ligado a criminalidade, corrupção e fome. Ainda assim, ele propõe um cenário em que a IA assumiria o controle e apenas 5% das pessoas trabalhariam.
Na visão de Mises, citada no texto, a liberdade não é um direito natural existente em condições primitivas. Ela surgiu no processo de desenvolvimento social, e sua forma mais completa é obra do capitalismo maduro.
Este é o ponto que separa as duas visões. A previsão de Shvets depende de uma população sustentada por impostos pagos por uma minoria, o que concentra decisões no Estado. A análise de Mises indica que a prosperidade depende da coordenação descentralizada, e não de um planejador único, por mais avançado que seja.
Perguntas frequentes
A IA pode substituir o cálculo econômico feito pelo mercado?
Segundo a análise de Mises apresentada no texto, nenhum sistema reúne todas as possibilidades de produção e as avalia sem um cálculo baseado em preços e trocas. Maior capacidade de processamento não elimina o conhecimento disperso entre as pessoas.
O que Victor Shvets defende sobre o futuro com IA?
Shvets sustenta que a IA poderia direcionar investimentos e antecipar necessidades com mais eficiência que o mercado. Ele também prevê um mundo com menos trabalho e maior dependência de transferências do Estado.
Por que o livre mercado continua superior nesse debate?
O livre mercado usa preços livres para transmitir informação entre milhares de agentes, o que permite ajustes contínuos. O planejamento central, mesmo apoiado por computadores, tende a concentrar decisões em um único ponto.
Como separar previsão de fato nessa discussão?
Previsões sobre o futuro são opiniões sobre cenários, não resultados comprovados. Vale comparar as projeções com os argumentos teóricos e com a experiência histórica de sistemas planificados.
Quer aprofundar o tema? Continue acompanhando conteúdos de história e filosofia política e compare os argumentos clássicos com as previsões tecnológicas atuais.
Fonte: mises.org.br
Foto: reprodução da fonte
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.








