Economia e Mercado
Nova estatal de combustíveis: o plano de Lula
Nova estatal de combustíveis: o plano de Lula
O governo avalia criar uma estatal para atuar na distribuição de gasolina e diesel. Veja os argumentos, o caminho legislativo e os riscos para preços e contas públicas.
O governo avalia criar uma estatal para atuar na distribuição de gasolina e diesel. Veja os argumentos, o caminho legislativo e os riscos para preços e contas públicas.

O governo federal avalia criar uma nova estatal de combustíveis para atuar na distribuição de gasolina e diesel e ampliar a capacidade de influenciar preços. A discussão ganhou força com declarações de Luiz Inácio Lula da Silva e com um projeto de lei apresentado por deputados governistas. O tema levanta questões sobre concorrência, investimentos e contas públicas.
O que a nova estatal de combustíveis faria na prática?
A proposta tem como foco dar ao governo ferramentas diretas para influenciar o mercado e reduzir os preços cobrados nas bombas. A ideia é que uma distribuidora própria pressione por mais concorrência e limite abusos de lucro que, na visão do Executivo, ocorrem entre empresas privadas.
Lula defende que o Estado precisa recuperar sua capacidade de intervir em setores estratégicos para o abastecimento. Segundo ele, isso garantiria a chamada soberania energética e a modicidade de preços, ou seja, combustíveis com custo acessível à população.
Do ponto de vista liberal, o debate exige separar o objetivo declarado da eficácia da medida. Intervir diretamente na formação de preços pode alterar o comportamento do mercado, mas o material de origem não apresenta estudo que comprove o efeito final nas bombas.
Como o governo pretende viabilizar o retorno ao mercado?
Existem dois caminhos em discussão. O primeiro é a compra direta de uma distribuidora já consolidada no mercado privado. O segundo é mais formal e tramita na Câmara dos Deputados.
Trata-se do projeto de lei 1.853/2026, que autoriza a União a instituir uma empresa pública ou a usar uma subsidiária de sociedade de economia mista, como a Petrobras. Essa estrutura serviria para comercializar combustíveis e gás de cozinha.
O texto busca recompor a presença pública reduzida após a venda da antiga BR Distribuidora, que hoje opera sob controle privado como Vibra Energia. Os dois caminhos têm implicações diferentes:
- Compra de distribuidora: envolve aquisição de ativos e negociação com o setor privado.
- Projeto de lei: depende da tramitação legislativa na Câmara dos Deputados.
- Subsidiária de estatal: pode usar uma estrutura existente, mas mantém vínculo com a empresa controladora.
Qual é o cenário financeiro das estatais federais?
O Brasil tem 115 estatais federais, e o desempenho financeiro dessas companhias preocupa. Dados do Banco Central indicam um déficit primário de R$ 6,5 bilhões apenas nos primeiros oito meses de 2026, o pior resultado acumulado desde 2002.
Déficit primário é a diferença negativa entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida pública. No caso das estatais, o rombo atinge inclusive empresas que não deveriam depender do Tesouro Nacional para suas operações diárias.
Segundo o Tribunal de Contas da União, a maior parte dos recursos bloqueados no orçamento federal serviu para cobrir prejuízos dessas empresas. O alerta reforça o argumento de quem questiona a criação de novas estruturas públicas.
Outras empresas públicas criadas no atual mandato
A proposta para combustíveis não é a primeira movimentação do atual governo nesse sentido. Em janeiro de 2025, foi autorizada a criação da Alada, voltada a projetos aeroespaciais. Ela nasceu como subsidiária da NAV Brasil e já está integrada ao orçamento da União.
O governo também cogitou criar a Terrabras, para o setor de mineração de terras raras, mas recuou após resistências internas. No lugar, optou por um conselho ligado à Presidência para acompanhar as operações das mineradoras.
Perguntas frequentes
A nova estatal de combustíveis já foi aprovada?
Não. O projeto de lei 1.853/2026 tramita na Câmara dos Deputados, e a compra de uma distribuidora é outra alternativa em discussão. Ambas ainda dependem de decisões do governo e do Congresso.
Qual é o principal argumento do governo?
O governo sustenta que a presença pública permite influenciar preços e estimular a concorrência. Lula defende que o Estado recupere capacidade de intervir em setores estratégicos, como o abastecimento de gasolina e diesel.
Quais riscos são apontados para as contas públicas?
O déficit primário das estatais federais é o principal ponto de alerta citado. O Tribunal de Contas da União associou recursos bloqueados do orçamento a prejuízos dessas empresas.
A Petrobras participaria da nova estrutura?
O projeto prevê a possibilidade de usar uma subsidiária de sociedade de economia mista, como a Petrobras. Ainda não há definição sobre qual caminho será adotado.
Acompanhe as próximas etapas da tramitação e compare os argumentos a favor e contra a medida antes de formar sua opinião.
Fonte: gazetadopovo.com.br
Foto: Sebastião Moreira/EFE (reprodução)
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.








