Investigação
Delação de Vorcaro: pagamento a filme sobre Lula
Delação de Vorcaro: pagamento a filme sobre Lula
Proposta de delação atribuída a Vorcaro cita pagamentos ao Instituto Lula e acesso a fundos de pensão. A PGR não avançou e as partes negam irregularidades.
Proposta de delação atribuída a Vorcaro cita pagamentos ao Instituto Lula e acesso a fundos de pensão. A PGR não avançou e as partes negam irregularidades.

A delação de Vorcaro, proposta à Procuradoria-Geral da República (PGR), atribui ao ex-banqueiro a afirmação de que pagamentos ao Instituto Lula ajudaram a custear um filme sobre o presidente, em troca de acesso a fundos de pensão. O Instituto Lula negou qualquer repasse, e a PGR não deu andamento à proposta, segundo a reportagem.
O que diz a proposta de delação
A delação é um acordo em que um investigado relata fatos às autoridades e pode obter benefícios em troca. Segundo a revista semanal que publicou a reportagem, Vorcaro afirmou à PGR que pagou cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo.
Parte desses valores, de acordo com o relato, seria destinada a despesas de um documentário sobre Lula e a pagamentos ao Instituto Lula. O filme citado, dirigido por Oliver Stone, é de 2024.
Ainda segundo a publicação, o pagamento seria uma condição para o credenciamento junto a fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Asset e da Previ. São entidades que administram recursos previdenciários de funcionários e aposentados, por isso qualquer suspeita sobre elas exige apuração rigorosa.
Intermediação de Vaccari e a disputa por recursos
O relato atribui ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a intermediação das negociações. Ele teria exigido uma taxa de 10% sobre tudo o que o Banco Master captasse junto aos fundos.
Os valores mencionados seriam de R$ 1 bilhão para o PT e de R$ 9 bilhões para o próprio ex-banqueiro, caso a operação tivesse dado certo. Não há informação sobre se ela chegou a avançar.
Pontos que a apuração precisa esclarecer
- Se os pagamentos em dinheiro vivo foram realizados e em quais datas.
- Qual foi o destino efetivo dos valores citados no relato.
- Se a operação com os fundos de pensão chegou a ser executada.
- Quais são os fundamentos formais da PGR para não dar prosseguimento à proposta.
Resposta do Instituto Lula, da defesa e da campanha
O ex-diretor do Instituto Lula Paulo Okamotto negou ter recebido dinheiro. Em nota, afirmou não conhecer Vorcaro e declarou que o documentário é iniciativa exclusiva de Oliver Stone, sem envolvimento do instituto na produção ou na captação de recursos.
A campanha do presidente chamou a reportagem de “irresponsável” e afirmou que as acusações não vieram acompanhadas de provas. A defesa de Augusto Lima, também citado, classificou o conteúdo como “narrativa falsa” e negou qualquer ato ilícito por parte dele.
Os advogados de Vorcaro disseram que não integravam sua banca quando as propostas foram apresentadas. Segundo a reportagem, ele também não prestou novos depoimentos à Polícia Federal sobre o conteúdo publicado.
Áudio e mensagens: o que ainda não se sabe
A revista divulgou um áudio que, segundo ela, seria de Vorcaro. Nele, a voz afirma que o pagamento ao Instituto Lula foi “errado”. A publicação não informa a data da gravação, as circunstâncias em que ocorreu nem se houve autorização do investigado.
Também foram citadas mensagens extraídas do celular de Vorcaro, trocadas com o advogado Walfrido Warde em 29 de outubro de 2022, com menção a um filme de Oliver Stone. Não foi possível verificar o conteúdo de três imagens enviadas na mesma conversa.
Perguntas frequentes
A PGR aceitou a delação de Vorcaro?
Não, segundo a reportagem. A PGR não avançou com a proposta por falta de provas. A defesa de Augusto Lima afirma que o conteúdo veio de uma proposta recusada pelas autoridades.
Os citados negaram as acusações?
Sim. O Instituto Lula, a campanha do presidente e a defesa de Augusto Lima negaram irregularidades. João Vaccari Neto não havia respondido até a publicação da reportagem.
O que acontece com uma delação antes da aceitação?
Ela continua sendo um relato do investigado até ser verificada e aceita pelas autoridades competentes. Antes disso, não deve ser tratada como prova. Acusações sem comprovação devem ser lidas com cautela.
Acompanhe as próximas atualizações desta apuração e compare as versões apresentadas por cada parte antes de formar sua própria opinião.
Fonte: poder360.com.br
Foto: reprodução da fonte










