Economia e Mercado
Inflação de setembro fica em 0,82% e supera o mercado
Inflação de setembro fica em 0,82% e supera o mercado
O IPCA de setembro subiu 0,82%, acima das estimativas, e reacende o debate sobre o ritmo de cortes da Selic pelo Banco Central.
O IPCA de setembro subiu 0,82%, acima das estimativas, e reacende o debate sobre o ritmo de cortes da Selic pelo Banco Central.

A inflação de setembro ficou em 0,82%, segundo o IBGE, no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país. O resultado superou a média das estimativas do mercado, que previa 0,73%, e reverteu a deflação de 0,32% registrada em agosto.
Em linhas gerais, deflação é a queda média de preços de produtos e serviços, ou seja, uma inflação abaixo de zero. Quando o índice fica positivo, como agora, significa que os preços continuam subindo no período.
Inflação de setembro acima das projeções
Na comparação anual, a inflação chegou a 4,58%, ante 4,22% em agosto. A expectativa do mercado para o indicador anual era de 4,5%, o que mostra que o dado veio acima do previsto também nessa base.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a inflação ficou em 3,95%, segundo o IBGE. O resultado indica que a pressão sobre os preços ainda não cedeu no ano.
O levantamento Focus, que reúne projeções do mercado sobre indicadores econômicos, aponta fechamento de 5,01% para 2026 na base anual. Para 2027, a expectativa é de 4,3%. Em ambos os casos, os números ficam acima do teto da meta.
A meta de inflação deste ano é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o índice cumpre a meta somente se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Quais grupos pressionaram os preços
De acordo com os dados do IBGE, todos os grupos pesquisados registraram alta em setembro. A maior variação veio de habitação, com 2,31%, seguida por transportes (0,89%) e alimentação e bebidas (0,83%).
No grupo de transportes, a alta foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, com elevação de 9,66%, e pelos combustíveis, com aumento de 1,41%. Veja o resultado de cada grupo do IPCA:
- Habitação: 2,31%
- Transportes: 0,89%
- Alimentação e bebidas: 0,83%
- Vestuário: 0,71%
- Comunicação: 0,64%
- Artigos de residência: 0,27%
- Despesas pessoais: 0,26%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,08%
- Educação: 0,04%
Esse conjunto de altas mostra que a inflação está disseminada entre diferentes áreas do consumo das famílias, e não concentrada em um único item.
Impacto na política monetária do Banco Central
O Banco Central (BC) define a taxa básica de juros, a Selic, e usa o IPCA como principal referência para avaliar se a inflação está sob controle. Com o resultado de setembro, o espaço para novos cortes tende a ficar menor.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, afirmou que o BC deve agir “com cautela”. Segundo ele, se a inflação continuar pressionada e as expectativas piorarem, o banco poderá reduzir o ritmo dos cortes ou até interromper o ciclo.
Visões de economistas sobre o Copom
Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras (Cefeb/Fipe), disse que o resultado reforça uma postura mais cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom). Para ele, é razoável esperar uma pausa no ciclo de redução dos juros na reunião de 3 e 4 de novembro.
Troster também observou que a inflação de serviços segue rígida. Na avaliação dele, o mercado de trabalho aquecido dificulta uma desaceleração mais rápida desses preços.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, afirmou que o dado recoloca a inflação acima do teto da meta e sugere que o processo de desinflação perdeu força no terceiro trimestre. Para ele, o cenário é menos favorável a uma flexibilização relevante no curto prazo.
Julio Barros, economista do Daycoval, destacou que os alimentos vieram mais fortes que o esperado, sobretudo in natura e arroz, e que isso pode refletir os efeitos do El Niño. Ele também disse que o grupo de serviços segue pressionado.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, avaliou que a leitura do dado aponta para uma cautela reforçada do Copom. Segundo ele, a autoridade monetária pode ganhar margem de manobra se aguardar a consolidação da apreciação do real e a maior estabilidade das expectativas de inflação.
Perguntas frequentes
O que é o IPCA?
O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil, calculado pelo IBGE desde 1980. Ele considera famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos. A pesquisa abrange dez regiões metropolitanas e os municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
Por que a inflação de setembro surpreendeu o mercado?
O índice mensal ficou em 0,82%, acima dos 0,73% estimados pelos analistas. Na base anual, o resultado de 4,58% também superou a expectativa de 4,5%. Por isso, o dado foi considerado acima do consenso.
A inflação deve cumprir a meta em 2026?
As projeções citadas no texto indicam fechamento de 5,01% para 2026, acima do teto de 4,5%. Portanto, a meta só seria cumprida se o índice ficasse dentro do intervalo de 1,5% a 4,5%.
Acompanhe os próximos dados do IBGE e as decisões do Copom para entender como a inflação pode afetar juros, crédito e o orçamento da sua família.
Fonte: Revista Oeste
Foto: Agência Brasil (reprodução)










