Economia e Mercado
Inflação da energia: como ela encarece o pãozinho
Inflação da energia: como ela encarece o pãozinho
Estudo mostra como eletricidade, gás e combustíveis pesam nos preços do pãozinho, de produtos do dia a dia e de grandes obras no Brasil.
Estudo mostra como eletricidade, gás e combustíveis pesam nos preços do pãozinho, de produtos do dia a dia e de grandes obras no Brasil.

A inflação da energia encarece o pãozinho e também produtos, serviços e grandes obras de infraestrutura no Brasil. Um estudo da Ex Ante Consultoria Econômica, encomendado pela Abrace, mostra que eletricidade, gás e combustíveis estão embutidos em quase tudo o que o consumidor compra. O efeito vai muito além da conta de luz.
Quanto da energia existe em um pãozinho
Segundo o estudo, quase 30% do preço do pãozinho é energia: 18,7% em eletricidade e gás dos fornos e cerca de 11% em combustível para transportar insumos em vans, caminhões e navios.
Em 2000, o pãozinho custava cerca de R$ 0,15. Hoje, está perto de R$ 1. Dos R$ 0,85 de aumento, aproximadamente R$ 0,73, ou 86%, são atribuídos ao encarecimento das fontes de energia ao longo da cadeia produtiva.
Energia escondida em produtos e serviços
Fernando Garcia, coordenador do estudo e sócio-diretor da Ex Ante, afirma que o objetivo é mostrar às famílias o custo energético embutido no que elas compram. Para ele, a tarifa, o botijão e o combustível são percebidos, mas a conta invisível da produção passa despercebida.
Entre os 48 bens e serviços analisados de 2000 a junho de 2026, 68% do aumento de preços foi puxado por eletricidade, gás e combustíveis. Nos exemplos citados, a energia respondeu por:
- 79% da alta do leite longa vida;
- 71% do aumento no preço de um tênis;
- 61% da alta da cerveja;
- 53% da alta do desodorante.
Em termos de participação no preço final, a energia equivale a 34% de um caderno escolar, 32% do cimento, 30% do vidro, 27% da carne, 19% do café moído e 12% de um automóvel.
Nos serviços, o peso também aparece. Cerca de 23% do aumento de um prato feito fora de casa foi energia, por causa da refrigeração e do ar-condicionado. No saneamento, as despesas com eletricidade passaram de R$ 2,9 bilhões em 2010 para R$ 9,1 bilhões em 2024, alta de 213%.
Por que o custo da energia pesa mais no Brasil
O estudo classifica a inflação energética como um fenômeno local. Entre 2000 e 2026, a eletricidade paga pelos setores produtivos brasileiros subiu 327,7% em dólares. No gás natural, o preço da molécula aumentou 154,5% no país e caiu 64% nos Estados Unidos.
Daniela Coutinho, vice-presidente da Abrace Energia, afirma que, quando a energia fica mais cara, a indústria perde competitividade, produz menos e o custo chega ao consumidor na forma de produtos e serviços mais caros.
Para Garcia, o problema decorre da falta de uma estratégia de longo prazo para o setor de energia, com decisões pontuais acumuladas por mais de 20 anos.
Como a inflação da energia chega às obras e investimentos
O levantamento também mediu o impacto sobre bens de capital, tomando como base 2021. Na construção civil, a energia equivalia a 14% do custo. Com essa premissa, o estudo identificou que 72% do aumento de preço do setor nas últimas duas décadas veio da energia.
Esse peso atinge grandes obras de infraestrutura, que dependem de máquinas, equipamentos e transporte de insumos. Quando o custo energético sobe, o orçamento de cada projeto pode ser pressionado, o que reduz a capacidade de investimento.
Perguntas frequentes
O que é inflação da energia?
É o aumento de preços de produtos e serviços provocado pela alta do custo de eletricidade, gás e combustíveis usados na produção e no transporte. O efeito aparece mesmo em itens que não consomem energia diretamente na casa do consumidor.
Quanto a energia representa no preço do pãozinho?
Segundo o estudo, quase 30% do preço do pãozinho é energia. Desse total, 18,7% vêm de eletricidade e gás usados nos fornos, e cerca de 11% do combustível para transportar os insumos.
Por que isso afeta a competitividade do Brasil?
Segundo Daniela Coutinho, a energia mais cara reduz a competitividade da indústria, que passa a produzir menos. O estudo compara os preços brasileiros com os de Estados Unidos e União Europeia.
Como o consumidor percebe esse efeito?
O efeito aparece em alimentos, vestuário, remédios, materiais escolares e serviços como transporte e refeições fora de casa. Por isso, vale acompanhar o orçamento como um todo, e não apenas a conta de luz.
Quer entender como a energia entra no seu orçamento? Acompanhe nossas análises de economia e mercado e compartilhe este conteúdo com quem também sente o peso da conta.
Fonte: UOL
Foto: reprodução da fonte
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.








