Libertarianismo
Escravidão e crescimento econômico: o caso do Brasil
Escravidão e crescimento econômico: o caso do Brasil
Uma corrente de historiadores atribui à escravidão o motor da riqueza americana. O caso brasileiro oferece um teste revelador sobre essa tese.
Uma corrente de historiadores atribui à escravidão o motor da riqueza americana. O caso brasileiro oferece um teste revelador sobre essa tese.

Uma corrente de historiadores sustenta que a escravidão foi o motor da riqueza americana. O Brasil, que dependeu do trabalho forçado por mais tempo e em maior escala, oferece um teste sobre a relação entre escravidão e crescimento econômico. Os dados mostram que a economia brasileira estagnou enquanto a escravidão era legal e só cresceu depois.
Uma tese que ganhou espaço no debate americano
Nos Estados Unidos, ganha força a ideia de que a escravidão não foi um detalhe da economia da jovem república, mas sua engrenagem central. Segundo o estudo analisado, esse argumento saiu dos meios especializados e chegou ao público amplo por meio de iniciativas como o Projeto 1619, do New York Times.
Historiadores ligados a essa linha afirmam que a produtividade do trabalho escravo e os mercados de crédito apoiados em escravos foram fundamentais para o crescimento americano, e não apenas incidentais a ele.
O estudo propõe um teste direto: se a tese estiver correta, seus efeitos deveriam ser mais fáceis de observar onde o trabalho forçado teve maior peso, por mais tempo. Esse lugar, de acordo com a análise, é o Brasil.
O que o caso brasileiro revela sobre a economia colonial
Segundo o texto, o Brasil importou mais africanos escravizados do que os Estados Unidos, o Caribe e as demais partes das Américas juntas, e manteve a escravidão legal até 1888, décadas depois de seus vizinhos a terem abolido.
A reconstrução apresentada no estudo indica que, entre 1574 e 1821, a economia brasileira praticamente não cresceu. A série de PIB per capita, descrita como a primeira do tipo para o período, reúne mais de 30 mil observações de inventários testamentários, livros contábeis e registros institucionais na Bahia, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Como não sobreviveram dados diretos de produção daquela época, os pesquisadores recorreram à elasticidade de Engel, um método consagrado na história econômica. Ele estima a renda a partir de salários reais, preços dos alimentos e padrões de consumo, partindo do que as pessoas compravam para inferir quanto deveriam ter ganhado.
O resultado é que o crescimento médio per capita ao longo de toda a era colonial foi próximo de zero. Em algumas medidas, o padrão de vida ao fim do período era mais baixo do que no início da colonização.
Quando a escravidão recua, a economia muda de rumo
O aspecto mais marcante da análise é o momento em que a tendência se inverte. Os números apresentados no texto por período legal são estes:
- Enquanto o comércio transatlântico de escravos era legal (1574 a 1850), a economia encolheu em termos per capita, a uma taxa média de menos 0,14% ao ano.
- Enquanto a escravidão continuou legal (até 1888), o crescimento ficou praticamente estagnado, em menos 0,01% ao ano.
- Após a proibição do comércio de escravos, o crescimento tornou-se positivo, em 0,35% ao ano.
- Após a abolição completa, subiu para 0,62% ao ano.
Segundo a mesma análise, a virada aparece também quando os períodos são divididos por eras políticas: média de menos 0,15% no período colonial e de 0,45% no século seguinte à independência.
Uma objeção natural é que esse padrão seja fruto da escolha de modelagem. Para testar isso, o estudo refez as estimativas 216 vezes, variando premissas como o tamanho da população escravizada e a diferença de produtividade entre a agricultura e o restante da economia. Segundo os autores, o padrão se manteve em todas as versões.
Por que o trabalho forçado trava o crescimento
O texto descreve dois mecanismos. O primeiro envolve o consumo: escravizados eram modelados como consumidores de uma cesta fixa de subsistência, que não se expandia com a economia. Estima-se que eles representassem cerca de um quarto da população na maior parte do período colonial e do início do império.
O segundo mecanismo aparece nos salários livres. Em Salvador e no Rio de Janeiro, os valores começaram comparáveis aos de boa parte da Europa, mas afundaram por mais de cem anos, à medida que o tráfico crescia. A recuperação veio com o fechamento gradual do comércio, em 1808, 1831 e 1850, com ganhos salariais relevantes após cada etapa.
A lógica econômica é direta. Investir em máquinas, treinamento e reorganização do trabalho faz sentido quando a mão de obra é cara. Se o trabalho forçado mantém o custo artificialmente baixo, há menos razão para inovar.
Para o autor, praticamente toda economia que cresceu no longo prazo o fez extraindo mais produção do mesmo número de trabalhadores, por meio de:
- melhores ferramentas;
- melhor organização do trabalho;
- habilidades mais desenvolvidas.
Nesse quadro, a escravidão não apenas transferia renda dos trabalhadores livres. Ela removia a estrutura de incentivos que produz crescimento.
Perguntas frequentes
A escravidão foi a principal causa do crescimento dos Estados Unidos?
Essa é uma tese defendida por parte da historiografia americana. O estudo analisado discute essa interpretação e a testa com o caso brasileiro, sem tratá-la como consenso.
O que o caso brasileiro mostra sobre escravidão e crescimento econômico?
Segundo a reconstrução apresentada, a economia brasileira ficou praticamente estagnada enquanto a escravidão era legal. O crescimento surgiu após a proibição do tráfico e, depois, da abolição.
Por que o trabalho forçado desestimula investimentos?
Quando a mão de obra é artificialmente barata, há menos incentivo para máquinas, treinamento e novas formas de organizar o trabalho. O texto argumenta que essa lógica limita a produtividade no longo prazo.
Como os pesquisadores estimaram a renda sem dados de produção?
Usaram a elasticidade de Engel, que infere a renda a partir de salários, preços de alimentos e padrões de consumo. Depois, testaram as estimativas em 216 variações de premissas.
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Fonte: mises.org.br
Foto: reprodução da fonte
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir da reportagem original indicada em Fonte.









